Como encontramos
situações que merecem análise.
O Política BR não investiga pessoas — cruza dados públicos e assinala onde um número foge do padrão. O que acontece com essa informação depois é decisão de quem lê, do jornalismo e dos órgãos de controlo. Esta página explica o método, sem entrar nos detalhes estatísticos de cada motor (esses estão documentados junto de cada resultado).
Tudo começa em fontes oficiais — TSE, Câmara, Senado, Portal da Transparência, tribunais e cadastros federais (CEIS/CNEP, PGFN, TCU, CVM, SICAR, ANAC). Os registos de pessoas, empresas e valores são normalizados (mesmo CPF/CNPJ, mesmo nome em grafias diferentes) e cruzados entre si — despesa × fornecedor, patrimônio × mandato, sócio × político, remuneração × histórico da própria pessoa. Cada motor de detecção compara um valor com o que seria esperado para aquela mesma pessoa ou situação — nunca ranking entre pessoas diferentes. Antes de qualquer alerta aparecer, o sistema procura explicação nos próprios dados (mudança de cargo, férias, evento colectivo, sazonalidade conhecida); só o que sobra desse filtro é apresentado como "situação que requer análise". Nada disto substitui a leitura da fonte original nem uma investigação formal — é um ponto de partida.
9 padrões sobre despesas de gabinete (duplicatas, valores redondos, CNPJ inactivo, fornecedor dominante, entre outros) sobre ~850 mil registos de deputados e senadores.
Ver suspeitas →Cruza o patrimônio declarado ao TSE com CEAP, emendas, remuneração de mandato e cadastros de dívida/sanção — 10+ padrões.
Ver patrimônio suspeito →Cruza sócios de empresas fornecedoras de CEAP/emendas com apelidos de políticos (via QSA da Receita Federal), para sinalizar possíveis laços familiares ou societários.
Ver radar →Compara a remuneração mensal de cada magistrado com o histórico da própria pessoa (mediana + desvio robusto dos últimos 12 meses).
Ver descobertas →Cobertura é desigual entre fontes — nem todo cruzamento tem CPF confirmado, e algumas fontes (ex. CNJ remuneração, DataJud) ainda não têm integração pública disponível e aparecem marcadas como "não verificável". Correlação não é causalidade: duas pessoas com valores parecidos no mesmo mês podem só reflectir um reajuste colectivo do tribunal. Por isso o Radar tenta primeiro explicar antes de alertar — e mesmo assim, o resultado é um convite a ler a fonte, nunca um veredicto.
Algumas suspeitas CEAP (categoria de despesa muito acima dos pares) mostram, além do R$ e da comparação com a mediana, uma equivalência tangível — "N voltas ao mundo", "N Big Macs", "N diárias de hotel". Estes números nunca substituem o valor em R$, servem só para dar escala; usam sempre uma referência real, pública e datada, nunca inventada. Tabela completa:
| Categoria CEAP | Referência | Valor | Fonte |
|---|---|---|---|
| Combustíveis e lubrificantes | Preço médio da gasolina | R$ 6,55/L | ANP/Petrobras, semana 02–08/08/2026 |
| Consumo urbano de referência | 13,7 km/L | Chevrolet Onix 1.0 (carro mais vendido do Brasil), Inmetro/PBEV 2025 | |
| Fornecimento de alimentação | Preço do Big Mac no Brasil | R$ 23,90 | Índice Big Mac, jul/2026 |
| Passagem aérea | Tarifa média doméstica | R$ 632,53 | ANAC, maio/2026 |
| Emissão de CO₂ por voo doméstico | 55 kg | Trecho Confins–Congonhas (~490km), Google Travel/IEA | |
| Hospedagem | Diária média de hotel | R$ 451,71 | Pesquisa InFOHB/FOHB, maio/2026 (570 hotéis, ~88,2 mil UHs) |
| Locação de veículos automotores | Diária média de aluguel de carro | R$ 154,44 | Localiza (RENT3), divisão RAC, 2T 2026 |
| Todas as outras categorias | Salário mínimo nacional | R$ 1.621,00 | Vigente desde 01/01/2026 |